Cemitério da Recoleta

Que a Argentina possui lugares fantásticos com belezas naturais e urbanas a gente já sabe! Confesso que sempre tive vontade de conhecer a terrinha dos hermanos, e no mês de setembro/2019 estive durante uma semana na cidade de Buenos Aires onde tive a oportunidade de conhecer um pouco mais sobre as belezas e a cultura da cidade.

São tantas as opções! Galeria de Bond Street, Jardim Japonês, Obelisco, Rosedal, etc… Caso queira conhecer ao menos metade dos principais pontos turísticos da cidade, é bom reservar tempo na agenda e o seu calçado mais confortável, pois você vai caminhar bastante.

Ao visitar Buenos Aires, me senti na obrigação de conhecer o famoso cemitério da Recoleta. Foram horas de caminhada nos 54.843 metros quadrados, entre túmulos, abóbadas e mausoléus.
Uma coisa eu posso garantir: valeu a pena!

Além de cemitério, também é um museu a céu aberto. – Foto: Jessica Edel

 

Conhecido pelas suas lápides luxuosas feitas de mármore e pelo seu estilo gótico, o cemitério retrata a boa situação financeira vivida pelos argentinos no final do século XIX. Na época, havia uma grande disputa por parte das famílias nobres argentinas para conseguir um espaço no cemitério.

Por falta de espaço e pelo alto valor, não há mais sepultamentos no cemitério. – Foto: Jessica Edel

 

A jovem Liliana Crociati morreu numa avalanche durante a sua lua de mel na Áustria em 1970. No mesmo dia a cerca de 14 mil quilômetros de distância, na Argentina, seu cachorro chamado Badu também morreu. Os pais de Liliana, fizeram um mausoléu que imita o quarto que a jovem tinha em vida.

Abaixo da escultura em tamanho real de Liliana, há uma placa com um poema escrito em italiano por seu pai, o poeta José Crociati, após a morte da jovem:

“À minha filha Somente me pergunto o porquê
Tu te foste e deixaste meu coração destruído
O qual apenas te queria, por quê? Por quê?
Apenas o destino sabe a razão, e eu me pergunto: por quê?
Porque não podemos ficar sem ti, por quê?
Tu eras tão bonita que a natureza, invejosa, destruiu-te. Por quê?
Apenas me pergunto por que, se há um Deus, ele leva-te em Seu nome.
Porque ele nos destrói e nos deixa numa eternidade de tristezas! Por quê?
Eu acredito no destino, não em Você. Por quê?
Porque apenas sei que sempre sonho contigo, por que isso?
Por todo o amor que meu coração sente por ti. Por quê? Por quê? Teu Papai”

Sua escultura é a única do cemitério acompanhada por um cachorro. Grande parte dos visitantes têm o hábito de passar a mão no focinho do cão. Há duas versões para a tradição: traz boa sorte ou, garante o retorno a Buenos Aires. – Foto: Jessica Edel

As horas passam e você ainda não conseguiu ver todas as lápides do cemitérios. Talvez você se perca entre os vidreiros com imagens religiosas e esculturas das mais diversas formas.

São cerca de 4.800 sepulcros e mausoléus. – Foto: Jessica Edel

 

O cemitério da Recoleta é um dos mais visitados do mundo, ficando atrás apenas do cemitério Père-Lachaise de Paris. Localizado ao norte da cidade, e em um dos bairros mais nobres de Buenos Aires, o cemitério foi construído em 1822 onde na época, era a horta dos monges recoletos.

Destaque especial para a arquitetura gótica. – Foto: Jessica Edel

 

Há uma grande quantidade de túmulos e mausoléus que do ponto de vista arquitetônico, que foram considerados Monumento Histórico Nacional.

Quem for visitar, vai se deparar com construções que parecem obras de arte. – Foto: Jessica Edel

 

Em um primeiro momento, confesso que fiquei surpresa com o fato de os caixões estarem expostos de uma forma que é possível ver os danos causados pelo tempo.

No cemitério é normal ver diversos caixões à mostra. – Foto: Jessica Edel

A primeira vista não é possível definir o tamanho exato dos mausoléus, pois em alguns casos, as escadas se estendem até onde não é possível mais ver.

Os túmulos em sua grande maioria possuem espaço para diversos caixões. – Foto: Jessica Edel

 

Informações:

Para quem ficou interessado em conhecer, o Cemitério de la Recoleta abre todos os dias da semana.

O horário de funcionamento é das 7h Às 18h.

A entrada é gratuita.